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Gabi, por ela mesma

Meus pais têm uma história de descendência italiana. As massas e os vinhos eram o ponto alto da minha família e também não podia faltar uma boa espécie de vinho à mesa. O macarrão que vovó fazia, artesanalmente, era divino. O molho, muito apurado, exalava um aroma indescritível e nós, os filhos e netos que por lá almoçavam, nos lambusávamos. Uma tradição que minha avó insistia em manter era reunir o pessoal uns dias antes do Natal e fazer “capeletti in brodo”. Meu avô pingava umas gotas de vinho naquele caldo e o deixava delicioso.

Várias vezes, alguns primos que moravam em Polisella e Rovigo, na Itália, vieram nos visitar no Brasil e o contato com eles despertou minha vontade de viver novas experiências. Parti para aquele país em busca de novos ares, novas linguagens, novos sabores, novos amores, reminiscências do seio familiar, culinária, vinhos…

Experiências valiosas

Na Itália eu tinha que trabalhar – não era uma simples turista, fui viver lá para adquirir experiências que me valessem para o futuro. Colhi azeitonas, trabalhei em restaurantes, estudei a nova língua, frequentei cursos de degustação de vinhos e visitei vinícolas maravilhosas, pois naquela época já aflorava em mim a paixão pela bebida e sua harmonização.

O inesperado

Acho que as pessoas costumam traçar objetivos e vão em busca dele. No meu caso, aconteceu o contrário. Nunca tive como objetivo me transformar em uma “expert” em vinhos. Segui minha vida trabalhando, estudando, e quando menos esperei, comecei a me destacar nessa profissão e a ter parceiros especiais que confiam muito no trabalho que faço.

Meu dia a dia

Treinar os sentidos foi uma das coisas mais legais que encontrei nesse caminho; as cores, a memória olfativa, o paladar, o tato, a percepção, os sons, tudo isso faz parte não só do meu trabalho, mas da minha vida por inteiro. Treinar tudo isso não foi fácil, mas hoje a recompensa é imensa, pois os meus sentidos me transformaram em uma pessoa mais atenta, mais sensível, mais humana e, sem dúvida, uma pessoa mais completa.

Compartilhar as sensações

O mais envolvente é poder compartilhar tudo isso com as pessoas. Em meus cursos e palestras, trabalho para que todos sintam emoção, e sobretudo, criem um amor pelo vinho, pois vinho é vida, é arte pura!

Um dos cursos que ministro, tem uma característica bem legal e diferente: comparo a personalidade das mulheres com a personalidade das uvas. Tem tudo a ver, é emocionante! As participantes se apaixonam ao perceberem que, de fato, aquela uva tem a sua personalidade.

Sensibilidade e responsabilidade

As escolhas que faço são muito bem pensadas (e sentidas!), pois aquele vinho escolhido para importação precisa ser perfeito. Costumo dizer que eu tenho que ver estrelinhas, caso contrário, aquilo não me faz acreditar que vai dar certo.

O mesmo acontece quando presto uma consultoria para algum restaurante ou hotel. Tenho que conhecer as pessoas que ali estão, sentir o clima, ter boa percepção do lugar. É engraçado, acabo me envolvendo tanto com as pessoas que conheço, que hoje muitas delas fazem parte da minha vida. No meu trabalho, minha doação é total em todos os momentos e sentidos. E hoje o que realmente importa é manter minha alegria e simplicidade para que essa paixão nunca acabe.

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